quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Mesmo sem crise, Motorola demite mais de 1.200 – SindMetal reage.

A Motorola acabará com a esperança de um bom Natal de centenas de trabalhadores. Em reunião na quinta-feira (17) com o Sindicato dos Metalúrgicos de Jaguariúna e Região (SindMetal, filiado à CTB), a empresa afirmou que vai demitir mais de 1.200 trabalhadores ainda neste ano de 2009.

Os temporários são os maiores prejudicados, somando 900 trabalhadores terceirizados da ManPower (empresa de RH que recruta funcionários para a multinacional). Cerca de 350 outros funcionários efetivos também serão demitidos, além de um não informado número de contratos temporários que só reforçam os lamentáveis números.

O SindMetal reivindicou que a empresa aguardasse o período de festas e as férias coletivas (30 de dezembro a 12 de janeiro) antes de anunciar as demissões. Cobrou também a implantação do PDV (Programa de Demissão Voluntária), dando a opção a centenas de trabalhadores que querem sair da empresa espontaneamente.

Diante da impossibilidade de reverter a decisão da empresa em demitir, o presidente do SindMetal e vereador de Jaguariúna, Edison Cardoso de Sá, pressiona a multinacional a manter pelo menos os postos de trabalho dos moradores do município, minoria no total de funcionários da fábrica. “A empresa se beneficia de diversos incentivos fiscais de Jaguariúna e iremos lutar por todas estas frentes”, afirmou Edison com veemência.

A Motorola informou ao sindicato que o corte em massa se deve a uma reestruturação produtiva que passa pela redução no volume do que antes era fabricado pela empresa. Cerca de 50 funcionários efetivos serão demitidos porque seus cargos serão “extintos”, segundo a empresa. Para eles, a empresa já possui um pacote de compensação que inclui o pagamento de meio salário por ano trabalhado no teto de cinco salários e mais convênio médico durante quatro meses.

Em discussão com o sindicato, a empresa ofereceu para os demais trabalhadores (cerca de 300), no primeiro momento, um valor em torno de R$ 700, recusado de imediato. Em nova proposta, a Motorola se propôs a pagar meio salário por ano trabalhado com um teto de dois salários e dois meses de convênio médico.

O sindicato exigiu igualdade de condições para todos (princípio da isonomia) e, numa terceira rodada de negociações, após várias pressões, a empresa recuou e concordou em conceder meio salário por ano trabalhado com um teto de cinco salários e convênio médico por quatro meses, igualando, assim, com o que ela já daria para os demais trabalhadores. “Agimos imediatamente, obrigando a empresa a pagar esses benefícios adicionais ao que a lei estabelece”, salienta o advogado do SindMetal, Edson Luiz Netto.

O Tribunal Superior do Trabalho determina que todas as demissões coletivas que ocorrem nas empresas devem passar por negociação coletiva com o sindicato. Partindo desse princípio, o advogado agiu rapidamente para evitar maiores perdas nas demissões em massa que estão ocorrendo na Motorola.

Fonte: VERMELHO

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