quinta-feira, 10 de março de 2011

Agricultura familiar e Economia Solidária

Luiz Ademir Possamai foi eleito, na semana passada, durante a VI Assembleia Geral da Unicafes Paraná, o presidente da Unicafes Paraná, para atuar na gestão 2011-2013. Em seu pronunciamento, o presidente agradeceu o voto de confiança de todos e disse que continuará com as atividades que estão sendo desenvolvidas pela entidade. Ele também firmou compromisso nas articulações com o governo estadual e federal, visando o pleito de recursos para ações voltadas a agricultura familiar.


Possamai participa do movimento do cooperativismo e economia solidária desde o início dos anos 90. Em 1995, foi sócio fundador e presidente da atual Cresol Marmeleiro, a segunda cooperativa a entrar em funcionamento no Sistema Cresol. Após, passou a integrar a direção da Central Cresol Baser.


Entre 1998 a 2004, Possamai fez parte da presidência da Cresol Beltrão. Durante dois mandatos consecutivos, 2002-2008, atuou também como presidente da Base Sudoeste. Na gestão anterior, 2008-2010, exerceu o cargo de vice-presidente da Cresol Baser.


Durante todos estes anos, desde a fundação da Unicafes Paraná, Possamai sempre atuou como colaborador da entidade, através de articulações políticas entre os diversos ramos cooperativos e organizações governamentais a nível nacional.


Segundo Possamai, "o Brasil é uma referência a todos os demais países da América Latina - é um dos cooperativismos mais representativos do continente. O movimento cooperativista no Paraná tem a vantagem de estar muito bem integrado e representado - tem Unicafes Paraná que permite uma integração além da fronteira, muito importante e que lhe dá coesão e representatividade".


Confira abaixo a entrevista.


Quais as perspectivas para o triênio 2011-2013?

Além de dar continuidade aos trabalhos já realizados na entidade, uma das principais metas é a integração entre os diversos ramos, a consolidação de novos ramos e a busca de maior sustentabilidade da Unicafes PR, bem como manter as parcerias com entidades nacionais e internacionais.


O que as cooperativas filiadas podem esperar da nova direção?

Um maior apoio a gestão de suas cooperativas, visando o fortalecimento das mesmas, apoio no acesso às políticas públicas e na luta pela permanência da missão e dos princípios seguidos pelas cooperativas da agricultura familiar e economia solidária. Também nos empenharemos para buscar o equilíbrio financeiro das cooperativas filiadas.


Qual a representatividade da Unicafes a nível internacional?

A Unicafes Paraná já é reconhecida internacionalmente, entre os principais países citamos a Belgica, Holanda, Costa Rica, Peru, Equador, Paraguai, Argentina, Uruguai, Venezuela, Caribe, México, Itália, Alemanha e recentemente a Bolívia.


Como você vê a atuação da Unicafes Paraná na representatividade cooperativista?

A Unicafes Paraná vem representando o cooperativismo solidário de forma constante e crescente, procurando constituir e fortalecer cooperativas em todas as regiões do estado do Paraná, totalizando hoje mais de 140 cooperativas distribuídas nos 110 municípios de área de abrangência, procurando dar transparência aos processos desenvolvidos pela entidade e pelos ramos, a fim de que as cooperativas singulares e seus associados tenham a compreensão e o conhecimento de tudo o que acontece em todas as instâncias, até porque as cooperativas singulares e Unicafes Paraná são a extensão dos agricultores.

Fonte: Adital - Lilian Lazaretti


História da Unicafes

A União das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária

No bojo do movimento do cooperativismo solidário surge a União das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária em junho de 2005, decorrente do acúmulo de dois anos de debates realizados pelo movimento cooperativista de agricultura familiar e economia solidária das cinco regiões do país.


Em julho de 2004 foi realizado o I Encontro Nacional de Cooperativas de Agricultura Familiar com a participação de 352 representantes de cooperativas de crédito, produção e comercialização, infra-estrutura, trabalho, entidades parceiras e sindicatos, orientaram a realização do I Congresso das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária para a criação de uma organização de representação do cooperativismo de agricultura familiar e da economia solidária.


Durante os primeiros cinco meses de 2005 foram realizadas jornadas estaduais e regionais elegendo os/as delegados/as para o I CONGRESSO de Cooperativas de Agricultura Familiar. Em junho de 2005, foi realizado o Congresso tendo a participação de 900 pessoas representando diversos setores: movimentos sociais, sindicatos, instituições de apoio e governo brasileiro. A UNICAFES foi constituída tendo 648 representantes (agricultores familiares) de cooperativas de agricultura familiar e economia solidária, dos diversos sistemas e ramos cooperativos.


O I Congresso da UNICAFES, com a presença do Presidente da República, vários ministros e secretários de estado e entidades sindicais parceiras (Contag e Fetraf), marcou a história do cooperativismo no Brasil. A partir deste momento, as cooperativas de agricultura familiar e economia solidária passaram a ser representadas por uma organização nacional e assim, participam ativamente das discussões, das formulações e da implantação de pauta nacional do cooperativismo de agricultura familiar.

A UNICAFES tem como missão : “Tornar o cooperativismo um instrumento popular de desenvolvimento local sustentável e solidário dos agricultores familiares, articulando iniciativas econômicas que ampliem as oportunidades de trabalho, de distribuição de renda, de produção de alimentos e melhoria de qualidade de vida”.


A UNICAFES tem como princípios norteadores de sua atuação: organização com base nas pessoas, participação democrática, solidariedade, ética, controle social, autonomia, pluralidade, novas relações de gênero, geração e etnia, descentralização das estruturas, integração em rede, economia de proximidade, transparência, intercooperação e respeito ao meio ambiente.


A UNICAFES organiza-se através das UNICAFES estaduais,regionais e dos ramos cooperativos e sistemas cooperativos, redes e associações de cooperativas. Desta forma garantem-se as pautas locais, regionais, e especificas dos ramos.


Os seus espaços deliberativos da UNICAFES são a Assembléia Ordinária realizada anualmente, o Conselho Administrativo, o conselho fiscal com reuniões bimensais, e o Congresso a cada três anos. As representações estaduais e regionais desenvolvem pautas integradas com o coletivo nacional. Os ramos cooperativos e as Unicafes estaduais participam das deliberações do conselho administrativo nacional em suas reuniões ampliadas, ocorrendo assim a integração da pauta comum de interesses das cooperativas a nível nacional.


Atualmente, a UNICAFES agrega cerca de 1.000 cooperativas no seu eixo de atuação e 20 mil cooperados, em 24 estados da federação envolvendo os ramos de produção, comercialização, crédito, assistência técnica e infra-estrutura.

A UNICAFES desenvolve sua representação política frente aos gestores públicos e demais seguimentos da sociedade. Dentre os principais desafios na negociação das políticas públicas, tanto na construção como na reformulação, estão principalmente às leis que amparam as sociedades cooperativas (lei geral do cooperativismo) e as que sustentam legalmente as atividades produtivas da agricultura familiar perpassando o crédito, a assistência técnica, a organização da produção, infra estrutura das propriedades, base tecnológica e a comercialização. Considerando as legislações previdenciária, tributária, ambiental e sanitária.


Ao passo que a UNICAFES defende políticas públicas estruturantes para o cooperativismo de agricultura familiar, passa a articular com os demais setores da sociedade parcerias para o desenvolvimento dos empreendimentos cooperativos dos agricultores familiares.


A UNICAFES e o Cooperativismo Solidário

Em agosto de 2008 a UNICAFES realizou o seu II CONGRESSO. Neste Congresso as cooperativas associadas reafirmaram suas estratégias e idéias a cerca da caracterização do novo cooperativismo, foi defendida as formulações a cerca das características do cooperativismo solidário, que constituí o ideário da UNICAFES. Segue as formulações sobre o cooperativismo solidário que constituí o pensamento das cooperativas solidárias associadas à UNICAFES.


O cooperativismo solidário não se preocupa apenas em obter benefícios para um número delimitado de pessoas, mas irradiar sua ação para todos os integrantes de um ramo produtivo ou uma comunidade.


O cooperativismo solidário é (re)visto como elemento estratégico para os programas de desenvolvimento regional e combate à pobreza . Por terem fortes vínculos com as necessidades sociais locais, em certa medida, as cooperativas solidárias seguem uma tendência que surgiu em várias partes do mundo ainda durante a década de 1980, quando o movimento cooperativo internacional acrescentou “a preocupação com a comunidade” como seu mais novo princípio universal.


As cooperativas solidárias são também experiências diferentes em função de sua preocupação com o reconhecimento ao respeito da pluralidade organizacional existente no meio social e as das diferentes formas democráticas de gestão interna. Todavia, os instrumentos de governança devem melhorar a cultura organizacional e incrementar a geração de inovações institucionais, de modo a criarem modelos adaptados às realidades específicas de cada região e às características dos grupos sociais aos quais as cooperativas estão vinculadas.


Outro aspecto que caracteriza o cooperativismo solidário é a sua opção pela estruturação em rede e sistemas. Tal escolha pressupõe a construção das grandes diretrizes norteadoras da ação (missão, estratégias, planos e projetos) a partir de formulação de consensos que formam de baixo para cima e contam com ativa participação dos atores (associados, dirigentes, colaboradores e entidades parceiras). As ações são executadas de forma descentralizada havendo espaço para a inovação e para a gestão adaptada às especificidades e características locais.


As redes cooperativas facilitam também o acesso às políticas públicas, incentivam o processo de organização social e econômica nos diferentes níveis. De um lado, as redes cooperativas ampliam a escala produtiva e capacidade de captação de recursos e, de outro, reduzem os custos financeiros e dos serviços (jurídicos, contábil, formação, etc.). Além de aproximar as organizações dos seus beneficiários, as redes estimulam a responsabilidade solidária, elemento chave no exercício do controle social e na gestão participativa.


Os dados relacionados a redes de cooperação solidária são resultantes do sistema de informações da economia solidária organizado pelo ministério do trabalho e emprego. Atualmente, são 136 redes ou centrais de comercialização solidária no Brasil. Estas atuam nos seguimentos econômicos de agropecuária, extrativismo, pesca, prestação de serviços, e alimentos e bebidas. Na comparação realizada os empreendimentos singulares, isolados tem maior dificuldade de comercializar seus produtos em comparação aos empreendimentos articulados em redes ou centrais.


Outra característica presente em diversos sistemas cooperativos solidários são as bases de serviço. As bases ajudam a equilibrar as forças convergentes e as divergentes que se estabelecem entre órgãos de cúpula, como uma cooperativa central, e as singulares. Além disso, as bases reforçam a idéia da interação solidária. A interação exprime a integração das diversas organizações/entidades na construção dos sistemas cooperativos coesos, em que a responsabilidade e o resultado são devidamente compartilhados entre seus membros.


As cooperativas solidárias podem também representar um movimento de renovação do cooperativismo nacional em termos mais gerais. Os ideais cooperativistas são congruentes com as novas visões que se formam a respeito do funcionamento dos mercados.


Ao participarem ativamente do mundo econômico, as cooperativas ajudam a demonstrar que os mercados são frutos de uma construção social. Ou seja, as cooperativas podem auxiliar no estabelecimento das regras e dos códigos de conduta que regulam os mercados (e, portanto, também das cadeias produtivas) em que atuam.


O novo cooperativismo estimula igualmente as experiências de descentralização e a autonomia coletiva, permitindo que pessoas e comunidades aumentem sua capacidade de resolver seus problemas (ampliam seu capital social), e sejam mais valorizadas em termos socioculturais (conquistem sua emancipação).


Para não representar apenas uma iniciativa econômica ou uma obra de natureza caritativa, a cooperativa solidária precisa e deve encarar a educação cooperativista como prioridade.


Ao oferecer oportunidades aos mais simples de acesso a educação e a informação e assim assumir responsabilidades e executar tarefas cooperativas, se está reforçando a idéia que a cooperação e a educação andam juntas. A cooperação cooperativista que abre espaço permanente à formação reflexiva contribuí para o seu próprio fortalecimento, num movimento de valorização mútuo. Nesse sentido, a cooperação e educação são práticas indissociáveis e peças-chave no futuro do movimento do cooperativismo solidário.


Embora com suas raízes nos movimentos sociais, o cooperativismo de base solidária prima por sua autonomia política e econômica, ainda que busque fortalecer os mecanismos de participação e controle social. A capacidade de cumprir sua missão, e de levar adiante as propostas e objetivos é reflexo da capacidade de governança e da comunicação das cooperativas com sua base social, como também reflete o grau de aproximação que a cooperativa estabelece com as demais organizações que compõe seu arranjo institucional.

Fonte: http://www.unicafesparana.org.br

sexta-feira, 4 de março de 2011

REDE - Cooperativa de Comunicação


Conheça o trabalho realizado pela
REDE – Cooperativa de Comunicação
de Pelotas.


Por entender a importância da comunicação social como meio alternativo aos movimentos sociais, além de constatar que uma parte da comunidade não é pautada pelos veículos oficiais e tradicionais da cidade, percebe-se a necessidade da criação de um grupo, com valores e identificação semelhantes com esses movimentos para trabalhar a comunicação na cidade de Pelotas.

Esses muitos setores da sociedade não possuem um democrático acesso à fomentação de sua comunicação dentro do contexto capitalista da mídia convencional. Isso se dá por diversos motivos. Um deles está relacionado à sua identificação não estar em sintonia com a maioria dos grandes veículos comunicacionais, os quais possuem engajamentos políticos e econômicos distantes da visão plural e ampliada dos movimentos sociais e populares. Um outro motivo se dá pelo difícil acesso a esses meios de comunicação, responsáveis por terem uma forte identidade ligada ao lucro comercial, responsável por não ir ao encontro dos princípios dos movimentos sociais, os quais, por muitos fatores, não possuem recursos financeiros para a fomentação de sua identidade. A partir disso, o empreendimento pretende prestar serviços de várias áreas da comunicação de forma diferenciada, seguindo os princípios da economia solidária. Com isso, entende-se que a identificação entre empreendimento e clientes ocorrerá naturalmente. Isso porque o coletivo sendo de economia solidária busca facilitar a relação de trabalho entre ambos, com a finalidade de não visar lucros exploratórios e altos fins comerciais.

O difícil acesso a veículos de comunicação é um fator que prejudica profissionais que não possuem tantos recursos financeiros aos valores impostos por esses meios. A partir dessa ideia, o coletivo pretende prestar serviços de forma financeira mais justa, com o entendimento que o valor cobrado pelos grandes veículos é incoerente às diversas demandas de um empreendimento.

A cooperativa busca consolidar a comunicação de empreendimentos que possuem sintonia ideológica dos seus princípios solidários. Portanto, ele filtrará as ideias de empreendimentos propostos.
FONTE: REDE

Economia Solidária será estratégia de combate à fome e pobreza no Tocantins


Aparecendo entre os piores índices no ranking da fome no Brasil, o estado do Tocantins, localizado na região Norte do país, está buscando estratégias para reverter esta situação. Na última quinta-feira (24), representantes das secretarias estaduais, entidades sociais, entre outras instituições, se reuniram para pensar propostas de projeto que promovam a inclusão produtiva no estado.

De acordo com o diretor de Inclusão Produtiva, Valter Frota, a proposta é elaborar um projeto envolvendo todas as secretarias estaduais, para promover a Economia Solidária (ES) como estratégia de combate à fome e à pobreza durante quatro anos.

"Considerando a sustentabilidade proposta pela Economia Solidária, acreditamos que essa economia poderá mudar o quadro social, cultural e econômico das famílias carentes", explicou.
O intuito é captar recursos nos ministérios em Brasília, Distrito Federal, onde o macro projeto será apresentado. A idéia é que, sendo aprovado, o projeto seja levado, inicialmente, para os 20 municípios mais pobres do estado.

Segundo Valter, cerca de 5 mil famílias devem ser beneficiadas, entre elas, as que já recebem benefícios de programas sociais. A ideia é capacitar os beneficiários, qualificar os empreendedores/as que já atuam na área da ES e fortalecer, principalmente, a agricultura familiar.

Mas estas não são as únicas ações do projeto. Como envolve todas as secretarias do governo, o programa econômico solidário global contemplará ações também nas áreas de saúde, educação, ciência e tecnologia, entre outras, segundo Valter. O objetivo é colher os primeiros resultados já em dezembro deste ano.

Além disso, durante os quatro anos do projeto deverão ser realizadas 20 Feiras regionais de ES, mais Fóruns e capacitação dos empreendedores solidários. "Nós vamos procurar associações e cooperativas para levar a qualificação profissional", informou.

O último mapeamento realizado no estado identificou 502 empreendimentos econômicos solidários tocantinenses. A expectativa, segundo Valter, é que esse número aumente com a execução do projeto."A Economia Solidária é de suma importância para agregar valores nas áreas sociais, culturais e econômicas. Ela traz a universalidade de direitos e deveres entre as pessoas. A Economia Solidária é a nova alavanca utilizada pelo governo do estado para trazer o desenvolvimento regional sustentável", concluiu.

Na quinta-feira (3), foi realizada a segunda reunião, que deverá dar início à elaboração do projeto.

FONTE: Adital - Tatiana Félix
FOTO: Iranildes Gonçalves

Incentivo aos empreendimentos é pauta em audiência com a Sec. Especial de Políticas para Mulheres


Em Audiência na última sexta-feira (25) com a subsecretaria de Articulação Institucional e Ações Temáticas da Secretaria Especial de Política para Mulheres - SEPM, Angélica Fernandes, o Fórum Brasileiro de Economia Solidária - FBES apresentou as reivindicações do movimento de economia solidária.


Dentre os saldos positivos da reunião está a possibilidade de se criar uma parceria entre a SEPM e FBES. A Secretaria de Mulheres se comprometeu em fazer um aporte financeiro para garantir a participação de mulheres de empreendimentos no “Encontro de Diálogos e Convergências”, evento e proposta organizada entre diversas redes e movimentos sociais, dentre elas o movimento de mulheres e o FBES, previsto para acontecer em meados de maio.

Além disso, subsecretaria Angélica Fernandes insistiu para que as membras do movimento de economia solidária participem ativamente do processo das Conferências Temáticas, preparatórias à Conferência Nacional de Mulheres que ocorrerá ao fim deste ano. E ainda, convidaram o FBES a compor o Gt de Gênero da SEPM.



Encontro de Diálogos e Convergências

O Encontro de Diálogos previsto para acontecer este ano em Salvador é promovido entre as redes Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), Associação Brasileira de Agroecologia (ABA-Agroecologia), Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES), Rede Brasileira de Justiça Ambiental (RBJA), Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN), Grupo de Trabalho de Saúde e Ambiente da Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (ABRASCO), Rede Alerta contra o Deserto Verde (RADV), Marcha Mundial das Mulheres (MMM), Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB).


O objetivo deste encontro é apresentar experiências de denúncia, resistência e construção de alternativas ao modelo de desenvolvimento capitalista, baseadas nas proposições dos movimentos da Agroecologia, Economia Solidária, Saúde Coletiva, Justiça Ambiental, Soberania e Segurança Alimentar e Feminismo.


O intuito é promover o diálogo e a construção de convergências entre estas redes da sociedade civil brasileira capazes de realizar uma crítica ao modelo de desenvolvimento atualmente hegemônico, para a agricultura e o meio rural no Brasil.

Fonte: FBES

quinta-feira, 3 de março de 2011

Via Campesina pede apoio contra grilagem de terras

Fim da grilagem de terras e da criminalização dos movimentos sociais; liberação dos ativistas presos e garantia, a todos os povos, do direito a terra, além de apoio à agricultura familiar e à produção agroecológica.

Estas são algumas das reivindicações da Via Campesina. Reunidos no Fórum Social Mundial 2011, em Dakar, organizações de camponeses e religiosos, ONGs, sindicatos e outros movimentos sociais construíram um documento que exige dos Estados nacionais, da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e de outras instituições internacionais medidas para a resolução dos principais problemas sociais no campo.

"Exigimos que os governos nacionais estabeleçam um marco efetivo para o reconhecimento e a regulação dos direitos à terra para os usuários, por meio de consultas com todas as partes. É necessário pôr fim à corrupção e ao clientelismo, que invalidam qualquer intento de gestão compartilhada da terra”, afirmam.

A Via Campesina também reivindica que se ponham em prática os compromissos assumidos na Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural (CIRADR) de 2006, especialmente no que se refere aos direitos humanos e à reativação de processos de reforma agrária. O texto lembra que as políticas públicas não devem ser "únicas”, mas específicas aos diferentes produtores de alimentos, devendo estar atentas às necessidades de mulheres e jovens.

Os movimentos exigem ainda que o Comitê de Segurança Alimentar Mundial (CSA) rechace definitivamente os Princípios para Investimentos Agrícolas Responsáveis (RAI, na sigla em inglês) do Banco Mundial e que inclua os compromissos da CIRADR e as conclusões da Pesquisa Internacional de Conhecimento, da Ciência e da Tecnologia Agrícola para o Desenvolvimento (IAASTD) em seu Marco Global de Ação.

O documento ressalta o importante papel dos agricultores familiares – que são a maioria dos agricultores do mundo –, em garantir segurança e soberania alimentar aos países, proporcionar emprego às populações rurais e produzir alimentos respeitando o meio ambiente e conservando os bens naturais para as gerações futuras.

A Via Campesina argumenta que, apesar disto, há bastante grilagem de terra em benefício de interesses privados ou do Estado, totalizando milhões de hectares e resultando em violação de direitos humanos, já que a situação priva as comunidades locais de seus meios de produção. "Os investidores e os governos cúmplices ameaçam o direito à alimentação das populações rurais, condenando-as a sofrer o desemprego generalizado e o êxodo rural, que trazem pobreza e conflitos, e que contribuem à perda de conhecimentos, práticas agrícolas e identidades culturais”, denuncia.

Para assinar o documento contra grilagem de terras, acesse: http://www.petitiononline.com/dakares/petition.html

FONTE: Adital - Camila Queiroz

/ Parque de Tecnologia Social implantará cooperativa de crédito

Iniciativa cidadã criada em 2002, o Parque de Tecnologia Social Brasil, localizado em Curitiba, deverá implantar seu mais novo empreendimento: uma cooperativa de crédito, a Neurocoop, até junho deste ano. A moeda social Neuro já foi regulamentada pelo Banco Central.

A Neurocoop desempenhará papel fundamental para garantir a operacionalização de todos os projetos do Parque e representa uma solução ética para os que constituem a organização. "Não solicitamos nem aceitamos recursos monetários de terceiros e dizemos ‘sem captação de Real, Dólar ou Euro’, por uma questão ética. Resolvemos, então, implantar nossa moeda, cujo nome faz uma referência a ‘neurônio’, à inteligência que gera valores monetários e não-monetários nos diferentes sistemas econômicos", declara o diretor presidente do Parque, Lutero Couto.

A cooperativa deverá ser localizada em Curitiba, em parte das instalações do Edifício Teixeira Soares, antiga sede da Rede Ferroviária Federal S.A (RFFSA), junto ao Centro de Referência em Tecnologias Sociais e Economia Solidária. Para isto, o Parque está em negociação com a Reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e com a Secretaria do Patrimônio da União (SPU).

"Geralmente, nós captávamos recursos através de editais. Agora, com a Neurocoop, em fase de implantação, devemos conseguir assegurar o melhor funcionamento dos projetos", acrescenta Lutero.

Com foco na ação transformadora com base na própria comunidade envolvida, Lutero Couto explica que a Tecnologia Social busca privilegiar o conhecimento vindo não apenas da Academia, mas da sociedade, com o seu saber/fazer. "A ideia é que seja uma ferramenta de inclusão a partir do conhecimento", afirma.

O Parque de Tecnologia Social atua a partir de quatro unidades operacionais: o Observatório Brasil, unidade que propicia a reflexão antes de propriamente intervir numa realidade; a Incubadora de Tecnologia Social, que apoia iniciativas e capacita para gerenciamento, administração e arranjo do empreendimento; Rede Pública de Fomento, parceria com estado (nas esferas municipal, estadual e federal), agências da ONU, bem como a indústria e o 3° setor; e captação financeira.

E são muitos os planos do Parque de Tecnologia Social. Em 2011, um mercado de orgânicos e uma central de distribuição serão implantados em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, em parceria com a Prefeitura municipal e o governo do estado. O local, segundo Lutero, favorece uma logística solidária, por estar bem próximo ao Aeroporto Internacional Afonso Pena; a central de distribuição também utilizará os serviços dos Correios, com pequenos volumes para comercialização. "Esse é o primeiro passo para o Arranjo Produtivo Solidário no Brasil", comemora.

O Parque organiza a Feira Orgânica, experiência que acontece desde 2008, anualmente, e implantou o Condomínio Rural e Consórcio de Exportação - Griffe Orgânica, com o apoio do Sebrae, onde se reúnem produtores, associações, cooperativas e agroindústria, totalizando 15 associados, desde o ano passado. Como o foco da Griffe é democratizar o consumo de orgânicos, o condomínio rural criou a rastreabilidade da cadeia produtiva, que permite identificar origem, transporte, processamento e consumo do alimento, minimizando intermediários e favorecendo o contato entre produtor e consumidor. O Centro de Difusão de Tecnologia Social possibilita a adaptação da solução de rastreabilidade a outros produtos.

Relacionado ao meio ambiente, há ainda o projeto Doutor Recicláudio, de coleta seletiva de lixo hospitalar, implantado em um grande hospital de Curitiba, também podendo ser adaptado a outros hospitais, clínicas veterinárias e laboratórios de análises clínicas. A receita gerada pela venda do lixo coletado (não contaminado) é revertida em favor da própria instituição.

Para conhecer mais o trabalho do Parque de Tecnologia Social, você pode acessar o site http://ptsbrasil.org.br e o site da Feira Orgânica: www.organicabrasil.org

FONTE: Adital - Camila Queiroz

Microcrédito e ecosol: Ferramentas de empoderamento feminino e de nova ordem econômica mundial

"Colocar renda extra nas mãos das mulheres é, frequentemente, a forma mais eficiente de beneficiar toda a família” (BPM)

Os efeitos da pobreza, da desigualdade social e de gênero afeta principalmente as mulheres e seus filhos. Na realidade brasileira a vulnerabilidade social, o desemprego, a carência de políticas públicas efetiva de combate a desigualdade e falta de oportunidade e acesso aos meios adequados de sobrevivência atinge imensamente a população pobre, e com maior grau a mulher e sua prole.

Nos extratos mais baixos, as organizações familiares, tendo a mulher como chefe de família, criaram-se uma nova modalidade de gerir a economia familiar e local em função do desenvolvimento econômico vigorante. Em quase todas as famílias, de alguma forma, os filhos são subsidiados pelas mães.

A mulher sempre busca uma alternativa de produzir renda extra para garantir o equilíbrio na renda familiar, e na maioria das vezes, a prática gera uma permanência que a leva a se especializar na área, gerando uma economia constante e eficaz no desenvolvimento familiar e no giro do capital local. Como veremos a atuação das mulheres no desenvolvimento do microcrédito e da economia solidária.

Neste âmbito, o papel do microcrédito é muito importante para o desenvolvimento, ganhando espaço prioritário para atingir as necessidades/carências de empregos, de formalização de experiências locais e pessoais, na incrementação da economia local e/ou das habilidades pessoais, as quais convertem-se em bens e consumo para a comunidade local. Como explica o professor Yunus(1) sobre os excelentes resultados que deu o banco dos pobres, aproveitando as experiências locais, os recursos humanos e a matéria prima existente, gerou um desenvolvimento que elevou admiravelmente a qualidade de vida da população local e permitiu acessos a serviços e oportunidades, até então desconhecidas, ainda que necessárias, para a satisfação das necessidades básicas.

Para Yunus, nestas condições, as mulheres são as mais vulneráveis, e são elas também, as potencialidades mais latentes, com maiores habilidades para gestar e gerir a economia do microcrédito, como foi à experiência que contemplou as aldeias pauperizadas de Bangladesh, e confirmado no mundo inteiro que a experiência é, sem dúvida, uma forma eficaz contra a pobreza, desde que bem acompanhada, oferecendo possibilidades adequadas e accessíveis para a população.

As mulheres –desde suas habilidades, capacidades e criatividades– são tendentes a apostarem com tudo numa nova dinâmica de atuação e descoberta de uma "vida nova”, rumo a uma mudança transformadora. Yunus afirma que em uma família com carências econômicas, a mulher consegue com mais tranqüilidade equilibrar os gastos com o dinheiro extra. Para ele "as mulheres são atores privilegiados no desenvolvimento local” (YUNUS, p 116, 2000).

A atuação do microcrédito ou da Economia Solidária – Ecosol, gera uma relação incisiva entre sujeitos, como conta o professor Yunus, em sua experiência com mulheres que mudaram por completo a visão de mundo e suas relações sociais no contato com o incremento econômico. Elas que nunca sentiram capazes de ter em mãos um capital que as permitissem gerir um negócio próprio, e que as favorecesse economicamente, sobretudo a família, aos poucos descobrem com grandes capacidades de mudar um cenário inerte, pela situação acomodada. A relação de empoderamento econômico faz com que os sujeitos se conectam na sociedade. O professor Yunus coloca a experiência do empoderamento feminino, pelo microcrédito, como um modo de trabalhar as questões de gênero e as relações de sujeitos entre homens e mulheres.

O empoderamento econômico eleva a mulher à consciência de sujeito e, ela aprende que é possível outra relação entres homens e mulheres, desde a igualdade e equidade de gênero. Partindo da experiência de liberdade que mantém as mulheres como gestoras, como parte fundamental na relação de iguais, ainda que diferentes, mas com a mesma autonomia de participação concreta no desenvolvimento da vida familiar e da comunidade local. Este é o ponto fundamental da relação de empoderamento feminino.

No Brasil o microcrédito e/ou a economia solidária ganha muito espaço com a desigualdade social, que se revela de modo alarmante na distribuição das atividades laborais e sociais. Embora, tenha crescido o número de emprego formal para o gênero feminino, ainda há um alto índice de desemprego, se comparado ao masculino, e as mulheres ainda que igual ou mais qualificadas ganham menos em relação aos homens, exercendo a mesma função. Uma grande maioria de mulheres busca alguma maneira de elevar a renda familiar, as quais muitas vezes sentem obrigadas a tal façanha; na informalidade desenvolvem atividades ligadas as suas criatividades e habilidades, sobretudo manuais/artesanais. O microcrédito é uma grande saída para milhares de mulheres que optam por apostar nesta saída, como única fonte de renda familiar, agregando a experiência da economia solidária.

O banco do povo paulista afirma que as mulheres são maioria nos microempréstimos concedidos no Brasil. O mesmo tem 53%dos contratos tendo as consumidoras como destino. No São Paulo Confia, organização social paulistana que oferece crédito até para quem tem "nome sujo na praça”, de cada dez empréstimos, seis são para mulheres. A máxima do microcrédito acredita que "colocar renda extra nas mãos de mulheres é freqüentemente a forma mais eficiente de beneficiar uma família inteira. Esta renda torna, com certeza, um grande impacto no desenvolvimento local, uma vez que as mulheres investem muito na família, sobretudo na educação dos filhos”(2). Dar a mulher acesso ao microcrédito, conseqüentemente gera um efeito multiplicador aumentando o impacto social que beneficia não só as gerações presentes, mas as futuras, conforme o informe do Banco Popular da Mulher no Brasil. Pois as mulheres garantem o investimento na educação dos filhos, na troca de experiência local e na propagação dos benefícios gerados. O professor Yunus em um seminário sobre microcrédito em São Paulo, no ano de 2008, afirmou que "não existe inclusão social sem adesão a economia. O mundo é movido pelo dinheiro e os pobres tem que ter acesso e fazer parte disso”(3). E na realidade mundial, mormente as mulheres vivem a pobreza, como os filhos.

Neste processo é importante visualizar o processo de empoderamento econômico das mulheres pobres, pois a pobreza mundial tem marcadamente um rosto, o rosto feminino. Há uma feminilização exagerada e real da pobreza.

É notável observar que o desenvolvimento da economia local através dos programas e incentivo ao acesso econômico, desenvolve também as relações pessoais e sociais, criando assim, com maior facilidade uma rede de acesso e apoio. Para Yunus são visivelmente rápidas as mudanças ocorridas nos relacionamentos, no aumento da autoestima, no desenvolvimento de potencialidades latentes e dinamismos, mesmo que o acesso ao dinheiro se dê, sobretudo por mulheres empobrecidas e com grande índice de analfabetismo. O aumento da auto-estima é um dos primeiros impactos observados na relação de sujeitos. Sair do controle do homem, por meio da geração de uma economia própria caracteriza um salto de qualidade nas relações e no desenvolvimento local. A mulher, com seu dinheiro, conquista o espaço social, público e privado garantindo o seu direito de ser pessoa, sujeito histórico com capacidade e potencial de modificar a história social, sendo protagonista de ação transformadora. As mulheres passam a ser agentes não só de suas vidas, mas na vida de muitas outras pessoas.

No Brasil, as experiências das redes de atendimento de microcrédito priorizam o acesso de mulheres, como o Banco Popular da Mulher Campinas e Campo Grande criado em 2002, na cidade de Campinas, o Banco de Empreendedor Joseensse, criado em 1998, em São José dos Campos, o Banco da Mulher, fundado em 1984, conta com afiliadas distribuídas no território nacional: Amazonas, Bahia, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Cada afiliada tem uma política de empréstimo diferenciada. E tantas outras experiências que também atendem o público feminino dando-lhes a oportunidade de gestar uma economia solidária, ou como Hazel Henderson(4) propõe uma "economia do amor”, ou seja, uma economia sustentável, preocupada com vida no planeta. Neste propósito a mulher mantém maiores habilidades para desenvolver uma economia que seja auto-sustentável, a preocupação com a vida parte da sabedoria e da intuição feminina. Por isso, no processo econômico atual as mulheres têm ganhado espaço concretizando outra visão de desenvolvimento econômico. O empreendedorismo da mulher vai além da troca entre bens de consumo e valor econômico.

Para Ellon de Campos Rodrigues, gerente executivo do São Paulo Confia afirma que "a mulher é empreendedora por necessidade. Ela tem os filhos para criar e cuida muito do dinheiro. O empreendimento de uma mulher, em tese, dá mais certo do que o do homem. A mulher pensa na família como um todo.”(5) E por isso emprestar dinheiro para as mulheres e contar com um resultado mais conseqüente.

Muitos bancos buscam acompanhar o processo de desenvolvimento econômico das mulheres objetivando suas demandas de modo que a economia gerada seja uma forma de subsistência e ao mesmo tempo de dar continuidade ao processo de desenvolvimento econômico, gerando de alguma forma um lucro ou um capital de giro que favoreça outros setores da vida, senão a subsistência das necessidades básicas. Alguns bancos, além o empréstimo financeiro presta assessoria e acompanhamento de projetos por meio de assessoria de acompanhamento do crédito; apoio à comercialização, com a participação em feiras, bazares e exposições; análise de qualidade do produto e apoio na melhoria da qualidade, visando um resultado plausível, considerando as eficácias do processo.

Além do Microcrédito a Economia Solidária é uma proposta que tem agrado o mundo, aos olhos das pessoas que estão preocupados com a realidade atual do nosso planeta, e de certa forma a EcoSol é uma economia gestada e gerida por Mulheres. Henderson que tem mostrado ao mundo o que está errado nesta economia insustentável almeja um novo ordenamento da economia onde o trabalho das mulheres seja contabilizado na economia sustentável. Ela caracteriza a "economia do amor”, uma economia que gera vida e empoderamento social dos atores envolvidos, bem como o trabalho voluntariado. A economia baseada na economia do amor está todo o trabalho não remunerado, a cooperação e a solidariedade em trocas sustentáveis. Esse tipo de dinamismo econômico são as mulheres que dão visibilidades a ações.

Concretamente estamos diante de um novo horizonte na historia humana, ainda que um tanto fragmentando as mulheres se propõem, de certa forma, a "salvar” o mundo da rudeza masculina, que baseia suas ações no TER e SER racional. O feminino tem um papel fundamental neste novo ordenamento econômico onde o comunitário, social e o sustentável estão presentes.

Socióloga. Secretaria da Pastoral da Mulher Marginalizada Nacional

Fonte: FBES

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Seleção de técnico para NESIC / UCPel

UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PELOTAS

CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS, ECONÔMICAS E SOCIAIS

NÚCLEO DE ECONOMIA SOLIDÁRIA E INCUBAÇÃO DE COOPERATIVAS

EDITAL nº 001/2011

CHAMADA DE CURRÍCULO

O “Programa Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares”, vinculado ao Núcleo de Economia Solidária e Incubação de Cooperativas da UCPel (NESIC), está selecionando assessor(a) técnico(a), em regime de contrato temporário de trabalho, para atuar junto ao Convênio celebrado entre a Universidade Católica de Pelotas e a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), através do Convênio FINEP: 01.08.0559.00 (18/12/2008), na incubação de empreendimentos de economia solidária. A área geral de atuação será em tecnologias sociais de trabalho e geração de renda, conforme disposições contidas neste Edital:

1 – DAS INSCRIÇÕES:

l.l - Os candidatos deverão preencher ficha de inscrição e entregar currículo acadêmico-profissional (preferentemente em Plataforma Lattes) no NESIC – localizado no Campus I da UCPEL, Bloco B, Sala 201 (NESIC) – Rua: Félix da Cunha, 412 – Centro, Pelotas –RS, no horário compreendido entre 14 e 18h.

l.2 – Período das inscrições: de 23/02/2011 até 28/02/2011.

2 – DAS VAGAS

2.1. A vaga disponível na seleção obedece à previsão de exercício de função, com requisitos de formação abaixo discriminados:

Função

Atribuições

Carga horária

Remunera-ção

Formação e experiência exigidas

Vínculo

Assessoria de processos participativos

- Elaboração de relatórios de atividades.

- Assessoria aos grupos (processos participativos)

20 h/sem

R$ 1.100,00

(bruto, mensal)

- Graduação em Serviço Social.

Contrato temporário (2 anos)

3 – DA SELEÇÃO:

3.1 – Forma de seleção: Chamada e análise de currículo e entrevista aos candidatos.

3.2 – Data da entrevista: agendamento no ato da inscrição

3.3 – Comissão de seleção: Dois professores e uma técnica do NESIC

4 – DA DIVULGAÇÃO DO RESULTADO FINAL

4.1. – O resultado será divulgado no dia 04 de março, através do sítio web da UCPEL.

4.2. – Não haverá recurso sobre o resultado final.

Pelotas, 22 de fevereiro de 2011.

Prof.ª Dr.ª Myriam Siqueira da Cunha

Pró-Reitora Acadêmica

Prof. Renato da Silva Della Vechia

Coordenador NESIC

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

88 % agrotóxicos comercializados no Brasil são classificados como perigosos

Estudo do Ibama indica que 88% dos agrotóxicos comercializados no Brasil estão entre as classificações "altamente perigoso”, "muito perigoso” e "perigoso”. O país é o líder mundial no consumo de agrotóxicos desde 2008.

Mato Grosso, São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Goiás são, pela ordem, os maiores consumidores de agrotóxicos no Brasil. Estes estados figuram entre os grandes produtores de soja e de milho.

Trata-se das duas principais culturas que têm liberação para uso de sementes transgênicas. Entre as sementes geneticamente modificadas, as mais vendidas são as da empresa Monsanto, que tem o agrotóxico Roundup como seu principal produto. O princípio ativo do Roundup é o glifosato, que representa 76% do mercado.

O estudo do Ibama alerta para a necessidade de reforçar as campanhas de esclarecimento dos trabalhadores rurais brasileiros a respeito do uso de agrotóxicos

O baixo índice de escolaridade dos agricultores é visto como preocupante pelo Ibama: 77% dos responsáveis por propriedades rurais possuem, no máximo, ensino fundamental incompleto. Um desafio extra para as campanhas de esclarecimento.

A preocupação é reforçada pelo Censo Agropecuário, divulgado em 2009 pelo IBGE. A grande maioria dos produtores afirma não ter recebido qualquer orientação técnica sobre o uso dos agrotóxicos. Boa parte afirmou não ter utilizado equipamentos de proteção.

Fonte: Adital

Com consultoria de experiência cearense, Cidade de Deus terá banco comunitário

Uma comunidade com moeda própria, gerida por um banco comunitário. Essa é a ideia que o Banco Palmas, do Conjunto Palmeiras, em Fortaleza, Ceará, inspirou ao bairro Cidade de Deus, no Rio de Janeiro. O cerne da questão é fazer com que um outro tipo de economia circule dentro da comunidade, favorecendo a produção local e gerando desenvolvimento para todos.

O bairro Cidade de Deus, oriundo de um conjunto habitacional situado na Zona Oeste, tem uma população de cerca de 38 mil habitantes e apresenta indicadores sociais entre os mais baixos do Rio de Janeiro, embora situado vizinho a bairros nobres da cidade, comoFreguesia eBarra da Tijuca.

Situação parecida era a do Conjunto Palmeiras. Em 1998, a Associação de Moradores do Conjunto Palmeira (Asmoconp), com o apoio de ONGs, montou a instituição de crédito considerada referência para o país no que diz respeito à criação de moedas sociais.

O Banco Palmas foi convidado pelo secretário de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura do Rio de Janeiro, Marcelo Henrique da Costa, a prestar consultoria para a criação do banco da Cidade de Deus. Marcelo já desenvolvia o projeto Rio Solidário e queria disponibilizar o microcrédito como alternativa. O Cidade de Deus obedecia a alguns critérios apontados pelo Banco Palmas para a implantação de um banco comunitário: comunidade organizada, pobre e com experiência em processos sociais e ligados ao desenvolvimento.

O gerente e fundador do Banco Palmas, Joaquim Melo, esclarece que, nesse modelo de banco, cada comunidade cria sua própria instituição. "O nome do banco, da moeda, tudo vai ser resolvido em um seminário. Primeiro teremos o Seminário de Sensibilização, quando será esclarecido à comunidade o projeto. Em seguida, virá o Seminário de Planejamento, quando será escolhido o nome do banco e da moeda, que deve ser bastante representativo da história e das lutas da comunidade", conta. A instituição será gerida por uma associação de moradores.

Durante três meses, a partir de março, haverá a capacitação dos gerentes de crédito, caixas e produtores locais. A expectativa é de que o banco comece a funcionar em junho deste ano. Serão oferecidos quatro produtos: microcrédito para o consumo (R$ 40 mil reais) e para a produção (R$ 60 mil reais, captados junto ao BNDES), com incentivo ao comércio, serviços e pequenas indústrias; correspondente bancário da Caixa Econômica Federal e microsseguro, um seguro de vida com preço abaixo do mercado, apenas 35 reais por ano.

No primeiro ano de funcionamento, estima-se que 200 famílias devem ser atendidas pelo microcrédito; 1.500 famílias devem utilizar o serviço de correspondente bancário e devem ser vendidos 500 seguros de vida. Joaquim Melo conta que, com o tempo, a comunidade demanda novos produtos a ser criados.

O município de Silva Jardim, no interior do Rio de Janeiro, criou o Banco Comunitário Capivari em novembro do ano passado e também teve a consultoria do Banco Palmas. Já na capital do estado, a experiência do Cidade de Deus será pioneira. Tida como um projeto piloto, se der certo, a ideia poderá se "espalhar" para outras comunidades.

Fonte: Adital - Camila Queiroz *